Ondas
Passei anos da minha vida procurando algo que nunca encontrava.
Talvez por nem saber o que estava procurando…
Talvez por não estar pronta para achar…
Continuei procurando…
Com o tempo fui descobrindo coisas interessantes, pessoas interessantes nestas minhas caminhadas de procura.
Até que descobri que não sabia o que procurava.
O pior foi descobrir que eu não sabia nem quem eu era.
Como procurar algo, se você nem sabe quem você é?
Aos poucos fui me encontrando, e troquei a palavra procura por busca.
Passei a buscar quem eu era, o que eu era e o que eu queria.
A descoberta de você mesmo é algo um tanto que insano, pois o pior e o melhor transbordam e as máscaras de anos caem.
Fui ao fundo do meu Eu e hoje posso dizer que me achei.
É um processo doloroso, feliz, t
urvo, claro, molhado, seco, vazio, cheio, escuro e claro.
Venho percebendo que estive plantada com meu corpo todo dentro de um buraco na areia.
Resisti estes anos todos as ondas.
Quantas vezes cheguei a me afogar, mas dia seguinte percebia que estava tendo outra chance.
Via as ondas como castigo, como dor e nunca como liberação.
Liberação?
É… as ondas vinham e eu fechava os olhos e só pensava em não me afogar, sendo que cada vez que ela vinha, a areia molhava se estivesse com os olhos abertos, poderia ver que parte da areia ia junto com a onda.
Quantos anos enterrada…
O processo de libertação não é fácil, pois ainda estou com meus pés cobertos de areia, e sei que é só eu dar um passo, apenas um passo.
Me volto para tudo que passei nestes anos, e vejo quantas vezes ajudei o movimento da areia, e nunca o movimento da onda.
Quantas vezes deixei apenas o curso do tempo seguir?
Estou sentindo o sabor da liberdade, mas ainda não entendo por que não dou o último passo.
Por que será que ainda o medo me invade?
Estou movendo minha cabeça, meus braços, meu quadril, posso ajoelhar, levantar… mas não consigo ainda caminhar.
Hoje acordei pensando nisso.
Estou a um passo de tomar nas minhas mãos pela primeira vez o rumo da minha vida.
Há uma força motriz me direcionando que sei quem vem através da Fé.
E esse medo? Vem da onde?
Medo do novo?
Medo do velho?’
Medo de abrir mão do que tenho? O que tenho?
Medo de deixar pessoas que amo? Se amo… estarão sempre em mim…
Já perceberam que quanto mais velhos ficamos, mais medrosos somos?
Quero saltar… quero pular… quero viver… quero amar…
Dentro do meu ser hoje tenho certeza que já estou pronta para dar esse passo.
O medo de me afogar já passou, e estou livre.
Quero ir hoje para onde as ondas puderem me levar.
Sem medos…
Porque hoje eu sei quem eu sou, o que eu quero e para onde eu quero ir.
2012 será o ano! Tudo novo! Tudo!
by ॐMaha Victória
