Agir e não reagir!

          …João, um senhor de pouco mais de 60 anos, estatura mediana, cabelos grisalhos com um olhar calmo, adora contar histórias do passado com sua voz rouca e baixa.  Em suas história ele sempre mostra como eram algumas coisas no passado e o que se transformou agora.

          Otávio chegou naquela manhã para fazer as compras para sua mãe e João estava començando a falar de como as coisas ficaram complicadas em meados de 1959 quando o pequeno vilarejo tinha ficado dias sem água, sem abastecimento de comida, porque o cano de água que abastecia o vilarejo tinha rompido devido as fortes chuvas, além da única ponte que ligava o vilarejo com a capital tinha sido levado pela correnteza.

          A população ficou sem ter o que comer praticamente após alguns dias, revoltados com o prefeito que mal passava por estas bandas, gastou todo o dinheiro que o governador da capital havia enviado para construir outra ponte além de arrumar o abastecimento de água e esgoto ali.

          Eustáquio, pai de João, alto, mãos grandes e fortes, era um senhor rígido com os filhos. Ao completarem 7 anos ele colocava para ajudar na lida. Naquela época o único armazem do vilarejo era o armazem do Seu Eustáquio. Ele acordava todos os dias as 5h, de domingo a domingo, cuidava das galinhas, arrumava a horta (estq que lhes garantiam legumes e verduras fresquinhas todos os dias), enquanto sua esposa Quitéria fazia o café e ajeitava os meninos, eram em 7 irmãos, para irem para a escola. As 7h pontualmente lá estava seu Eustáquio abrindo as portas de seu estabelecimento. Por volta das 12h ele fechava seu estabelecimento porque os meninos chegavam da escola e almoçar com a familia toda era uma regra que ele não abria mão. E aproveitava o momento para dar uma olhada na horta.

          Um dia João ajudando o pai no armazem, pergunta por que ele perde tempo plantando se pode comprar tudo da capital, como as que vende e assim poderia descansar mais. Eustáquio disse: “Tudo aquilo que o homem faz com as mãos, tem as graças e bençãos de Deus!” e continuou: “Se algum dia acontecesse algo e ele não pudesse ir até a cidade, sua família jamais passaria fome, sendo abençoados com a graça de Deus!”.

          E foi o que aconteceu naquele verão de 1959, o que ajudou sua família e parte do vilarejo sobreviver aqueles dias, foi a horta do Seu Eustáquio, e suas galinhas. Ele sentia prazer em dividir com todos tudo que plantou e ainda sobrava.

          Otávio foi para casa pensando em tudo que o Seu João contou.

          Passou horas pensando naquela história e no que poderia fazer para que sua família também nunca passasse fome.

          Otávio era o caçula de dois irmãos, seu pai trabalhava em uma fábrica do outro lado da cidade, sua mãe era professora e sempre contava histórias e lia livros para eles antes de dormi.

           Otávio se destacava na turma da escola, até mesmo em casa, apesar de mais novo, ele não era um menino comum, vivia construindo coisas, com as sobras de madeiras e ferros que encontrava na rua, adorava ler e ficar junto conversando com os adutos.

          No final daquele dia, começou a conversar com sua mãe sobre o que o Seu João tinha contado. Otávio disse: “Esse Seu Eustáquio é o cara mais inteligente que ouviu falar, porque poderia continuar reagindo, como todos os outros moradores da vila, mas resolveu agir e proteger sua família e assim não só salvou eles como a vida de outras famílias, inclusive a nossa.”

          A mãe, espantada com a conclusão do filho, perguntou o por que ele achava que o Seu Eustáquio tinha salvado a nossa família. Ele respondeu: “Mãezinha, olha só, com a atitude do Seu Eustáquio, meu bisavô Otaviano foi salvo junto com a Vovó Benedita, que com a construção da nova ponte, foi estudar na cidade e conheceu o vovô Antonio que vivia do outro lado, certo? O povo da vila passou a plantar e  produzir em suas terras depois de perderem praticamente todo o seu gado e alguns famíliares por fome e sede. Com o sucesso das colheitas de milho e soja, o dono da fábrica onde o papai trabalha hoje, resolveu anos atrás vir para cá e investir. Então se observarmos uma simples ação gerou todo o resto!”

A pergunta que fica no ar hoje é: “Até quando vamos continuar reagindo?”

Até quando vamos só caminhar, lutar ou fazer algo quando a água estiver no pescoço?

Quantas pessoas mais terão que morrer para entendermos que estamos destruindo o mundo, ocm nossa ganância, ignorância, com nosso orgulho, nossa miséria interna?

Estamos destruindo o mundo com nossos pensamentos egoícos, com nossos sentimentos não gracinha.

O pior é que estamos destruindo a vida e nem estamos nos dando conta disso!

 

ॐMaha Victória

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